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  • Carolina Maria

O que é mudança climática e aquecimento global?

"Pode parecer assustador, mas as evidências científicas indicam que se não forem tomadas medidas drásticas nos próximos dez anos, podemos enfrentar um dano irreversível do mundo natural e o colapso de nossas sociedades."



Hoje em dia esses termos já são muito comuns nos noticiários e no nosso dia a dia, mesmo assim, parece ainda não ser tão claro para as pessoas o que de fato cada conceito desse representa, e o que isso pode impactar na nossa vida e no mundo.

Começamos então com esse artigo, uma série de textos que vão simplificar para você tudo sobre mudança climática, e o mercado de carbono.


Em um documentário da BBC, Mudança Climática: os Fatos, o famoso naturalista britânico David Attenborough resumiu assim as ameaças decorrentes do aquecimento global "Pode parecer assustador, mas as evidências científicas indicam que se não forem tomadas medidas drásticas nos próximos dez anos, podemos enfrentar um dano irreversível do mundo natural e o colapso de nossas sociedades."


As mudanças climáticas estão em "tempo real diante de nossos olhos", afirma Michael Mann, professor da Universidade Estadual da Pensilvânia e um dos cientistas do clima mais respeitados do mundo.

Mann cita como exemplos desta realidade dos nossos tempos a intensificação das chuvas, uma maior frequência de furacões e ondas de calor devastadoras.


Selecionamos algumas perguntas e respostas da BBC para você entender melhor esses pontos.


1. O que são as mudanças climáticas?

O termo mudança climática é mais amplo do que aquecimento global, que se refere apenas ao aumento da temperatura.

O que se chama de mudanças climáticas inclui temperatura, intensidade das chuvas e eventos climáticos extremos, como furacões e ondas de calor.

O clima do planeta muda constantemente ao longo do tempo. A temperatura média global atualmente é de 15ºC, e evidências geológicas indicam que ela já foi bem mais alta e bem mais baixa no passado.

No entanto, o período atual de aquecimento está ocorrendo mais rápido do que no passado. Cientistas temem que as flutuações naturais no clima têm sido superadas por um aquecimento rápido induzido pelo homem com sérias implicações para a estabilidade climática do planeta.

Não há mais dúvida de que essas mudanças são devidas em grande parte à atividade humana, especificamente à emissão na atmosfera de grandes quantidades de gases do efeito estufa, como CO² e metano.


2. O que é o efeito estufa?

Esse fenômeno se refere à maneira com que a atmosfera da Terra retém parte da energia do sol. A energia solar que reflete na superfície terrestre em direção ao espaço é absorvida pelos gases do efeito estufa e reemitida em todas as direções.

Ela passa então a aquecer tanto zonas mais baixas da atmosfera quanto a superfície terrestre. Sem esse efeito, a Terra seria quase 30ºC mais fria, tornando o planeta hostil à vida.

Cientistas afirmam que o homem está acrescentando ao efeito estufa natural gases resultantes da indústria e da agricultura (chamados também de emissões), levando a uma retenção maior da energia solar e aumentando a temperatura do planeta. Isso é o que costuma se chamar hoje de aquecimento global.

O mais importante dos gases do efeito estufa, em termos de impacto no aquecimento, é o vapor d'água, mas suas concentrações apresentam mudanças pequenas que persistem na atmosfera apenas por alguns dias.

O gás carbônico (CO₂), no entanto, persiste por muito mais tempo (levaria séculos para retornarmos aos níveis pré-industriais). Além disso, apenas uma parte do CO₂ pode ser absorvido por reservatórios naturais como os oceanos.

Como a temperatura dos anos se compara com a média do séc. 20


A maioria das emissões humanas de gás carbônico são oriundas da queima de combustíveis fósseis. Quando florestas capazes de absorver CO₂ são derrubadas por madeireiras ou queimadas para serem transformadas em pasto, o carbono aprisionado ali também volta à atmosfera, contribuindo para o aquecimento global.

Outros gases do efeito estufa, como o metano, também são emitidos em atividades humanas, mas a concentração deles é pequena em comparação à do dióxido de carbono.

Desde o início da revolução industrial, em torno de 1750, os níveis de CO₂ aumentaram mais de 30% e os de metano, mais de 140%. A concentração de dióxido de carbono na atmosfera é hoje a mais alta em 800 mil anos, pelo menos.


3. Quais são as evidências do aquecimento global?

Registros de temperaturas desde o século 19 mostram que a temperatura média da superfície da Terra cresceu 0,8ºC nos últimos cem anos. Quase 0,6ºC desse total ocorreu nas últimas três décadas.

Os 20 anos mais quentes já registrados ocorreram nos últimos 22 anos, liderados pelo período entre 2015 e 2018.

Ao redor do planeta, o nível médio do mar cresceu 3,6 mm por ano entre 2005 e 2015. A maior parte dessa mudança ocorre em razão da expansão térmica da água do mar. Com o aumento da temperatura dela, as moléculas se tornam menos densas, levando ao aumento do volume do oceano.


Mas a redução da massa de gelo nos polos tem sido considerada o principal fator nessa tendência. A maioria das geleiras em regiões temperadas do mundo e ao longo da península da Antártida está diminuindo.

Desde 1979, imagens de satélite mostram um declínio dramático na extensão de gelo no Ártico, a uma velocidade de 4% por década. Em 2012, essa faixa atingiu seu patamar mais baixo, que é 50% menor que a média entre 1979 e 2000.

A camada de gelo na Groenlândia tem passado por um derretimento recorde nos últimos anos. Se todo esse gelo derreter, elevaria os níveis do mar em 6 metros.

Dados de satélite mostram que a camada de gelo oeste da Antártida também está perdendo massa, e um estudo recente indicou que o lado leste da região, que não tem apresentado qualquer tendência de aquecimento ou resfriamento, pode ter começado a perder massa nos últimos anos.

Mas cientistas não esperam mudanças drásticas. Em alguns lugares, a massa pode inclusive crescer, já que o aumento da temperatura pode levar à produção de mais neve.

Os efeitos das mudanças climáticas também podem ser vistos na vegetação e nos pastos. Eles incluem mudanças nos ciclos de vida das plantas, como uma floração antecipada, e alterações nos territórios ocupados por animais.


4. Quanto as temperaturas vão subir no futuro?

Em uma ampla análise científica de 2013, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) previu uma série de cenários baseados na modelagem computacional. A maioria das simulações indica que a temperatura na superfície terrestre deve subir 1,5ºC até o fim do século 21, em relação a 1850.

A Organização Meteorológica Mundial afirma que, caso a atual tendência de aquecimento se mantenha, as temperaturas podem subir de 3ºC a 5ºC até o fim do século.

Um patamar de 2ºC tem sido considerado, há muito tempo, como a porta de entrada para um cenário mais perigoso. Recentemente, cientistas e formuladores de políticas públicas reviram a cifra e afirmaram que o aumento da temperatura não deveria passar de 1,5ºC.


Ainda assim, um relatório do IPCC publicado em 2018 mostra que mesmo a meta de 1,5ºC exigiria "mudanças rápidas, amplas e sem precedentes em todos os aspectos da sociedade".

Mesmo com a redução drástica das emissões de gases que agravam o efeito estufa, cientistas afirmam que levaria décadas para retirá-los da atmosfera e por isso o impacto no clima continuaria por anos sobre grandes volumes de água e gelo.


5. Como a mudança do clima vai nos afetar?

Há vários graus de incerteza sobre o tamanho do impacto do aquecimento global. Mas as mudanças decorrentes dele podem levar à escassez de água doce, a uma transformação radical da capacidade global de produzir alimentos, além do aumento de mortes por inundações, tempestades, ondas de calor e seca.

Isso ocorreria porque estima-se que as mudanças climáticas devem aumentar a frequência de eventos climáticos extremos, ainda que seja muito difícil associar qualquer evento isolado ao aquecimento do planeta como um todo.

Cientistas preveem mais chuvas em geral, mas apontam um risco maior de seca em regiões afastadas do litoral. Tempestades e aumento do nível do mar devem levar também a mais inundações. Haveria, no entanto, alta variação desses fenômenos ao longo das regiões.

Países mais pobres, que são menos preparados e equipados para lidar com mudanças bruscas, podem sofrer mais com as transformações.

Há previsões também de extinção de animais e plantas incapazes de se adaptar à mudança rápida do habitat, e a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a saúde de milhões de pessoas pode ser ameaçada pelo avanço da malária, de doenças transmitidas pela água e da desnutrição.

Com o aumento do CO₂ emitido na atmosfera, há um avanço da captura desse gás pelos oceanos, o que torna a água mais ácida. Esse processo contínuo pode representar grandes problemas para os recifes de coral do mundo, pois as mudanças na química impedem que os corais formem um esqueleto calcificado, essencial para sua sobrevivência.

Modelos gerados por computador são usados nos estudos das dinâmicas do clima terrestre e levam a projeções sobre mudanças de temperatura.

Esses cenários variam em torno da "sensibilidade climática", a exemplo do peso de cada elemento (como o CO₂) no aquecimento ou no resfriamento. E mostram diferenças no modo com que esses "feedbacks climáticos" podem ocorrer.

O aquecimento global causará algumas mudanças que provavelmente levarão a mais aquecimento, como a liberação de grandes quantidades de metano dos gases de efeito estufa à medida que derrete o permafrost (solo permanentemente congelado encontrado principalmente no Ártico). Isso é conhecido como feedback positivo sobre o clima.

Mas feedbacks negativos podem compensar o aquecimento. Vários "reservatórios" na Terra absorvem CO₂ como parte do ciclo do carbono – o processo pelo qual o carbono é trocado entre, por exemplo, os oceanos e a terra.

A questão é: como eles vão se equilibrar?


6. O aquecimento global causa eventos climáticos extremos?

Fenômenos climáticos se intensificaram em relação à média dos anos anteriores.

As ondas de calor que atingiram a Europa em 2018 foram duas vezes mais prováveis ​​devido ao aquecimento global, de acordo com o consórcio World Weather Attribution (WWA).

O aumento da temperatura na atmosfera e nos oceanos também está tornando furacões e tempestades mais intensos.

"Podemos ver os traços das mudanças climáticas em todos os eventos extremos", diz o cientista holandês Geert Jan van Oldenborgh, membro da WWA.

É muito difícil provar que um evento específico foi "causado" pelas mudanças climáticas.

Mas para o professor Michael Mann, da Universidade Estadual da Pensilvânia, perguntar se a mudança climática "causa" um evento específico é fazer a pergunta errada.

"A questão relevante é a seguinte: as mudanças climáticas afetam esses eventos e os tornam mais extremos? E podemos dizer com bastante confiança que a resposta é positiva".


7. As ondas de frio contradizem os indícios de aquecimento global?

O clima é um panorama mais prolongado e completo dos padrões de tempo. Ele se refere às condições que prevalecem em uma região ou em toda a Terra, e pode ser estudado com uma análise das tendências históricas.

Quando falam em clima, os cientistas estão se referindo à situação do planeta todo, ao longo do tempo. Ou seja, mesmo que esteja fazendo mais frio que a média em uma região específica, o mundo como um todo está, na média, mais quente – é isso que apontam centenas de estudos feitos por cientistas no mundo todo ao longo de décadas.

Esse aquecimento da temperatura média da Terra – que cientistas creditam aos gases de efeitos estufa produzidos por ação humana – provoca eventos climáticos extremos, desde inundações na África até seca no Brasil, passando por invernos muito mais rigorosos na América do Norte.



Em sua página na internet voltada para crianças, a Agência Espacial Americana (Nasa) explica que devemos esperar tempos frios mesmo que as temperaturas do planeta estejam aumentando de forma geral.

"O caminho até um mundo mais quente terá muitos episódios de tempos extremamente quentes e extremamente frios", diz o site da agência.

Isso porque as mudanças climáticas incluem alterações na forma como correntes marítimas, correntes de vento e outros fenômenos meteorológicos funcionam ao redor do mundo, gerando eventos meteorológicos extremos – tanto de frio quanto de calor.


8. Há um ponto em que a situação não terá mais volta?

Os chamados mecanismos de retroalimentação podem ser positivos (aumentam o ritmo do aquecimento) ou negativos (desacelerando o processo).

Um dos exemplos mais fortes de retroalimentação positiva é a chamada "Amplificação Ártica", que explica por que as temperaturas têm, em média, aumentado mais no Ártico do que no resto do planeta.

O gelo reflete a luz do sol, mas ao derreter surge o oceano escuro, que absorve essa radiação, esquenta e faz com que mais gelo derreta.

Tendo em vista esses mecanismos de retroalimentação, há o que se chama de "ponto sem retorno", ou seja, as mudanças climáticas ultrapassam o nível limítrofe em que será muito mais difícil detê-las ou revertê-las.

Em outras palavras, o processo se agravaria por sua própria dinâmica interna, independente das ações que possam ser tomadas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa.


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